Algoritmo pode propagar racismo?

Criado por: Priscila Gonsales

Contexto

A palavra “algoritmo” começou a ser amplamente difundida, especialmente no caso das redes sociais, cada vez mais utilizadas por crianças e adolescentes. Segundo a pesquisa TIC Educação, 82% de crianças e adolescentes têm perfil em redes sociais. Recentemente, temos visto também documentários como Privacidade Hackeada e Dilema das Redes, que trazem à tona o debate sobre o quanto os algoritmos de inteligência artificial (IA) podem moldar comportamentos. Estamos diante de um novo contexto em que tudo o que fazemos é monitorado e, nesse sentido, vale compreender como os algoritmos são criados e por quem.

Objetivos

  • Propor a pesquisa sobre conceitos como: inteligência artificial, algoritmo, big data;
  • Promover o estudo e a reflexão sobre a pesquisa TIC Educação 2019 que mostra o alto índice de perfis nas redes sociais entre crianças e adolescentes e checar com o grupo se eles se vêem nessa informação, quais redes utilizam, quais não e por que;
  • Incentivar o debate sobre alguma experiência, caso ou situação em que eles perceberam a atuação dos algoritmos e como lidaram com isso;
  • Propor a elaboração de um varal digital ou analógico com recomendações para profissionais e/ou empresas que elaboram algoritmos.

Recursos educativos

Basicamente a linha do tempo criada pelo pesquisador Tarcízio Silva que mostra como as plataformas e redes sociais podem disseminar racismo se não existe visão, representatividade e cuidado por parte de profissionais que estruturam algoritmos.

Sugiro dois vídeos aqui que podem ou não ser usados juntos ou somente um ou outro. É importante avaliar o perfil do grupo com quem estamos trabalhando, pois cada um dos vídeos traz um estilo diferente de apresentar um conceito.

Metodologia

Aquecimento

Reserve um dia ou dois meio períodos para sua própria pesquisa prévia sobre o tema que vai trazer em aula, como por exemplo, ouvir essa entrevista da cientista de dados Nina da Hora, mas não se preocupe de estudar tudo, a intenção desta prática é promover a aprendizagem coletiva entre professores e alunos.

Se houver alguém da comunidade (funcionários da escola, pais/mães, amigos, familiares) que tenha algum conhecimento em tecnologia, convide para fazer parte de algum momento na aula, ou para ser entrevistado pelo grupo ou para enviar um vídeo com alguma informação interessante.

Com o grupo, vale introduzir o assunto com a pesquisa TIC Educação. Pergunte se os dados da pesquisa surpreendem ou não, se eles conhecem crianças pequenas que usam redes sociais, o que eles acham sobre, o que já observaram que acontece por lá, além das postagens das pessoas (veja se lembram de propagandas, de posts recorrentes, de verem sempre algo de determinadas pessoas etc).

 

Explorando o tema

Proponha uma pesquisa coletiva, de preferência dividindo a turma em grupos. Um grupo vai pesquisar o significado de “algoritmo” por diferentes definições; outro grupo, “inteligência artificial”;  outro grupo, “big data”; outro grupo, “origem das redes sociais digitais”; insira termos que você considerar importante ou que os alunos sugerirem. E dê um tempo para o retorno dessa pesquisa.

No dia da apresentação, peça que os grupos compartilhem os achados e as dúvidas, sempre mencionando as fontes, as referências que utilizaram, se encontraram visões diferentes etc. Apresente a eles a questão do “racismo algoritmo”, perguntando se eles já pararam para pensar nisso e como seria possível o algoritmo que não é em si humano gerar racismo. Vale mostrar esse vídeo sobre viés algoritmico e promover uma conversa sobre os viéses que todos temos e como lidar com eles.

 

Aprofundamento e mão na massa

Na etapa seguinte, mantenha a divisão em grupos ou reorganize os grupos para mesclar os componentes, conforme sua observação na etapa anterior e apresente a Linha do Tempo do Racismo Algorítimico

Antes de pedir que os grupos explorem as informações, apresente a eles o autor e pesquisador, Tarcízio Silva, que mantém um site com outras pesquisas e informações relacionadas ao tema. Perceba que no rodapé do site tem uma licença de uso Creative Commons, que permite que o conteúdo seja livremente utilizado, para fins não comerciais, desde que citada a fonte.

Defina um período para os grupos estudarem os destaques da linha do tempo, observando pontos como:

  • diferenças ou semelhanças ao longo do tempo, eles observaram evoluções desde a primeira notícia até a mais recente?
  • que notícia mais chamou a atenção? por que? (se for difícil escolher uma única, peça que elenquem 3) – alguma boa notícia apresentada na linha do tempo?
  • algum insight (percepção) que eles tiveram a partir do que viram lá? algo novo que aprenderam, algo que não tinha ideia de que pudesse acontecer? Agende um dia para que os grupos possam compartilhar suas observações entre si. 

Para fechar a atividade, você pode sugerir um varal digital, um fluxograma ou texto coletivo com recomendações para profissionais e/ou empresas que dão as instruções para o algoritmo seguir. Pode ser também na forma de audiovisual, colagens, ilustrações.

 

Número de aulas

O mínimo de 5 aulas/encontros, considerando que os grupos terão também que pesquisar em casa.

Resultados

Ter despertado a curiosidade por aprender mais sobre o tema, incentivando e instigando o olhar crítico relacionado ao mundo digital contemporâneo;

Ter instigado a reflexão sobre como mitigar o racismo no mundo digital.

Por que recomenda?

Trata-se de uma prática bastante instigante, pois provoca o aprendizado coletivo, professores e estudantes vão aprender mais sobre o tema. Está bastante relacionada com a competência geral 5 da BNCC:

“Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.” (BNCC, 2018)

Adaptação/recriação

Não, mas espero que seja bastante adaptada!

Referências

BRASIL. Base nacional curricular comum. Disponível em <http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-praticas/aprofundamentos/193-tecnologias-digitais-da-informacao-e-comunicacao-no-contexto-escolar-possibilidades>. Acesso em 1 de mar. 2021

CETIC.BR. TIC Educação 2019. Disponível em <https://cetic.br/pt/pesquisa/educacao/analises/>. Acesso em 2 de mar. 2021. 

SILVA, Tarcízio. Linha do Tempo do Racismo Algorítmico. Blog do Tarcízio Silva, 2020. Disponível em: <http://https://tarciziosilva.com.br/blog/posts/racismo-algoritmico-linha-do-tempo>. Acesso em: 1 de mar. 2021.

As imagens anexadas são “prints” tirados do Blog do Tarcízio e são meramente ilustrativas para mostrar algumas das informações disponíveis. A licença dessas imagens deve seguir a do blog, portanto CC BY-NC-SA (permitido usar, desde que cite a origem, não seja para fins comerciais e, em caso de remix, licenciar com a mesma licença)

Imagens

Vídeos

As imagens e vídeos indicados nesta prática não estão sob licença CC BY NC, caso queira reutilizá-los, entre em contato com o autor da prática pelo comentário.

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3 comentários:

  1. Eu achei a proposta muito boa. Ajuda no conhecimento de como funciona o algoritmo, as redes sociais, como tudo gira em torno do que você gosta/consome e que isso não é por um acaso. Vai incentivar a pesquisa entre eles, vai fazer eles se questionarem, oque é muito saudável e necessário nos dias atuais.

  2. Parabéns pela pesquisa, muito bom ver que alguém se importa com o assunto e vai em busca de soluções e apontamentos sobre. Eu como futura pedagoga, sinto extrema necessidade de estar pá das diferenças culturais, raciais, etnológicas e etc. A Internet é um fator indispensável no mundo atual, que é utilizado não só por adultos, mas também crianças e adolescentes no mundo inteiro. Como qualquer ferramenta, tem seus lados positivos e negativos, o algorítmo é uma brilhante tecnologia que media os conteúdos que usuário acessa coletando os dados e sugerindo tipos de posts com que eles mais interagem, porém por não ter noção de diversidades, como nós humanos, acaba sendo um elemento discriminatório, não oferecendo a todos os mesmos conteúdos e a mesma acessibilidade disponível. Plano de aula muito bem executado, pois nos provoca quanto ao tema, e nos trás vertigens interessantes.

    Ana Letícia Santos de Oliveira. Unb-Pedagogia 2022/1

  3. É necessário que sejam tratados assuntos que prezam a privacidade e comportamento dentro das redes sociais, tendo em vista a influência de condutas no cotidiano.
    A incluir, o diálogo entre aluno e professor é essencial, garantindo que o processo de aprendizagem seja desenvolvido com clareza.

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